Nascida em Toronto, a cantora e compositora que agora vive em Los Angeles, Allie X está bombando no mundo pop com seu som eletropop obscuro e sonhador. O primeiro single de seu segundo álbum, CollXtion II, a agridoece “Paper Love”, já tem mais de 6,5 milhões de plays no Spotify desde sua estreia no verão, e é difícil de não ver o porquê. Como seu nome sugere, a música é sobre a fragilidade e futilidade do amor, com uma letra altamente identificadora: “Ah, eu sei que esse cara irá me rasgar / Porque ele não é tão legal / Ele não irá fazer direito / Ele vai deixar um corte feio”. Allie apareceu na redação da Fizzy Magazine na Alemanha em uma tarde sombria de outono para uma performance mágica e uma pequena entrevista.

Confira as perguntas abaixo com tradução exclusiva do Allie X Brasil.

“Paper Love” foi muito bem recebida. O que você acha que a música tem que faz com que as pessoas se identifiquem tanto?
Não tenho certeza sobre o que faz outras pessoas se agarrarem a ela. Para mim o que faz essa música especial é a combinação de estilos – uma pequena melodia disco nos versos em cima de uma linha de baixo aleatória e em alguns pontos batidas de trap e dancehall. E o assobio é muito cativante.

Amamos como você deu prévias da música pela primeira vez em uma linha telefônica. Você pode nos dizer sobre como isso aconteceu?
Sim, a CLX II Hotline tem sido uma maneira para eu entrar em contat com superfãs através de prévias, ou notícias ou novas músicas antes delas serem lançadas. O que mais poderia ser tão engraçado quanto uma chamada diretamente do mundo X?

Qual foi seu primeiro amor musical? Você cresceu tocando algum instrumento?

Quando eu era super criança, eu cresci me divertindo com teclados Casio e ouvindo muitos musicais da Disney. Depois dos 10 anos comecei aulas de piano e comecei a ouvir mais rock e motown.


O que te levou a seu som atual?

Um amor por sintetizadores analógicos, máquinas de batidas, vocais crescentes e as coisas da vida – insegurança, ansiedade, tensão, relaxamento…

Como é seu processo de composição?
Começa normalmente com melodia ou uma batida e termina com a letra mas as vezes é tudo ao mesmo tempo – ou raramente, eu começo com a letra.

Allie X é definitivamente um nome de super herói. O que o X significa?
X significa a possibilidade de qualquer coisa. Te dá a liberdade de ser o que quiser – indefinido se você não sabe quem é. Te permite ter a liberdade de ser anônimo até você entender sua verdade.

Seu amor por óculos de sol faz parte disso?
É uma representação da anonimidade, então sim. E uma proteção da parte mais vulnerável de seu rosto: seus olhos.

Qual a coisa mais louca que você já fez no palco?
Hm… Acho que já surfei o público. Eu fico rolando muito no chão também. Eu nunca joguei nenhum absorvente sujo ou mordi a cabeça de um morcego…

Um jornalista uma vez disse que você entrou em cena como uma garrafa de vinho em um casamento. Se você fosse uma bebida, qual seria?
Uau, eu nunca ouvi isso. Amei essa citação. O que é uma bebida? [Nota do tradutor: O entrevistador usou uma palavra antiquada para se referir a bebida e Allie brincou com o fato]. Hahaha. Vinho? Eu gostaria de ser algo mais seco se eu fosse uma…

Qual o objetivo para 2018?
Quero ser grande na Alemanha!

Publicado em 26 de dezembro de 2017 às 11:34
Categorizado em: Entrevista

Allie X e VÉRITÉ são duas das mais brilhantes faces emergentes do pop. Armadas com vozes distintas e algumas das produções mais inovadoras, elas tem firmado seu lugar na indústria ao longo dos últimos anos. 2017 foi o ano aonde ambas alcançaram grandes marcas aonde lançaram não apenas seus álbuns de estreia, como também viajaram pelo país para interagir com seus fãs em novos lugares.

Apesar de Allie, nascida no Canadá e residente de Los Angeles, viver do outro lado do país em relação a VERITE (que é nativa de Nova Iorque), o par traçou um caminho de carreira similar. Elas são duas das mais ousadas cantoras independentes lançando música no momento, aonde elas ignoram as regras e sons tradicionais para cirarem conteúdo que ressoe com elas.

Por isso que é sem surpresas que as duas recentemente se uniram em um remix de “Casanova” de Allie X. Nessa faixa, Allie canta sobre amores desinteressados pelos quais ela se encontra atraída. Rapidamente a faixa se tornou uma faixa favorita dos fãs no CollXtion II então ela decidiu a revisitar após finalizar uma campanha promocional para a convincente “Paper Love”. No entanto, ao invés de apenas lançar a versão original ela trouxe VERITE para uma nova versão empoderadora.

Lançada hoje, a faixa atualizada vai fundo tanto quanto anes, mas a entrega de VERITE adiciona uma nova dimensão, já que o par troca frases e acha algumas harmonias interessantes. “You’re no Casanova, got to let you go. Hit me on my blind side, left me on the floor. Now I can see a bright light, body getting cold. There’s something ’bout your touch that I can’t leave alone”, canta o par com uma convicção cristalina. Tem uma beleza obscura em suas voz enquanto elas batalham com seus amores angustiantes, e a produção é rodeada com uma frenética energia. É um hit sólido do par e tem o potencial de trazer ainda mais exposição para ambas.

O Idolator teve recentemente a chance de conversar com o par sobre sua colaboração. Allie explicou o que a atraiu para a música e a vontade de trabalhar com VÉRITÉ, e ambas compartilharam como ocorreu o processo de gravação. Elas fizeram alusões a potenciais surpresas num futuro próximo. O duo ainda deu conselhos para artistas emergentes que querem replicar suas ascensões e também discutiram o som em mudança constante da música pop. Tenha a chance de conhece-las um pouco melhor e faça o stream da nova faixa abaixo.

Allie, como você selecionou “Casanova” como sua nova faixa a ser trabalhada do CollXtion II?

Allie X: Bem, “Casanova” é aquela que realmente explode ao vivo. Na turnê, eu acho que era a terceira música no set, e era meio que a quebradora de gelo aonde as pessoas ficavam doidas e começavam a gritar a letra, etc. Então, era um bom sinal. Nas plataformas de streaming, nunca teve algum tipo de investimento, mas era organicamente a faixa que estava tendo o maior crescimento. Isso acaba respondendo de uma forma meio entediante.

O que te fez entrar em contato com VERITE quando você queria fazer um remix?

Allie X: VERITE eu admiro muito e me identifico bastante porque somos ambas independentes, e acho que nós duas comandamos nossos próprios barcos. Estamos muito envolvidas em cada aspecto do que fazemos no lado dos negócios, no lado criativo, e no lado da música, obviamente. Então eu apenas tive a ideia. Achei que a voz dela era perfeita para uma colaboração no que eu visualizei para a música. Acho que eu nunca colaborei publicamente com uma mulher antes, então isso é algo que eu realmente queria fazer.

VERITE, o que te atraiu para a música quando Allie entrou em contato?

VERITE: Bem, eu sinto que quando Allie entrou em contato inicialmente foi meio que apresentado para a minha equipe como meio que “escolha uma música” de certa forma. E eu não sabia que ela estava escolhendo “Casanova”, e eu fui em frente e disse “eu quero fazer ‘Casanova'”, porque eu havia ouvido a música antes e o drop nela, ele me faz muito feliz. Era o tipo de música que eu estava atraída. E como você fala tão rispidamente “fuck me over”, era a escolha perfeita.

É um hino.

VERITE: É um hino. É definitivamente um hino.

Quando vocês gravaram, obviamente, Allie sua parte já estava gravada anteriormente, mas você se reuniram em estúdio juntas em algum momento?

VERITE: Então, eu gravei os vocais em Nova Iorque aleatoriamente. Allie e eu na realidade não nos encontramos em pessoa ainda. Já trocamos muitas mensagem e nos conhecemos por alguns anos, mas tudo tem sido feito de forma meio que remotamente por nós.

Allie X: Sim, nós estivemos na estrada na maior parte deste processo, então começava e parava. E claro, VERITE está morando em Nova Iorque e eu aqui. Então tivemos que fazer tudo à distância.

No futuro vocês acham que irão ter algumas performances juntas?

Allie X: Eu espero que sim. Nós temos alguns planos que eu realmente não posso anunciar ainda, mas temos definitivamente algumas ideias.

Ambas de vocês já trabalharam em projetos muito visuais. Estou imaginando, vocês tem algum vídeo sendo trabalhado para o projeto? Se sim, vocês podem dar alguns detalhes, ou se não, vocês podem dizer de imediato o que imaginam para um tratamento visual, como ele pareceria?

Allie X: Eu posso dizer que tem realmente algo sendo trabalhado, e não posso dizer mais nada além disso.

Continue deixando a gente pensando. E no passado, ambas de vocês trabalharam em remixes similares a este. Allie em particular, você acabou de aparecer no remix de Mattress” de Leland. Qual é a ideia quando se revisita uma faixa desta forma?

Allie X: Tipo, em uma perspectiva de streaming, definitivamente tem suas vantagens. Não sei. Acho que fãs sempre estão dispostos a ouvir colaborações e suas músicas favoritas reimaginandas.

VERITE: E para mim é interessante. Obviamente estou entrando dentro do mundo de Allie. Foi um desafio criativo e divertido tentar descobrir como me inserir de uma forma que prestasse homenagens à música original e sua vibe, mas ao mesmo tempo fazer as partes que eu adicionei funcionarem da minha maneira de certa forma. E eu amo quando as pessoas vem colaborar comigo no mei mundo, e eu amo entrar no mundo delas de uma certa forma.

Allie X: Eu iria dizer justamente isso, é uma das melhores partes de ser uma artista. Acho que colaborar e combinar as habilidades de diferentes pessoas, suas vozes e seus talentos, é essa a mágica que pode acontecer quando você coloca dois artistas juntos nesse sentido. Sempre acho isso como uma compositora também. Gosto de escrever sozinha, mas eu realmente gosto mais de co-escrever. É meio como um projeto científico estranho. Os resultados são sempre diferentes e legais. É muito animador.

E Allie, você em particular tem trabalhado muito extensivamente com artistas, assim como Leland e Troye Sivan são dois exemplos obvios de onde você desenvolve uma química real no estúdio. Como é trabalhar juntos novamente após levar um tempo entre esses projetos?

Allie X: É sempre uma festa com esses caras. Viramos amigos de verdade. Na realidade temos até os mesmos empresários então somos como uma pequena família. Nós na realidade acamos de ter uma semana juntos. Alugamos um lugar em Malibu, foi muito divertido. É sempre um bom momento. Tem um monte de… como eu posso descrever? Nós fizemos meio que dança de strippers para essas músicas bem inapropriadas. Eu gostaria de ter um vídeo para te mostrar. Na realidade, Troye postou algo sem audio. Se você olhar em seu twitter vai ver um desses aonde estamos fazendo essa dança.

Isso soa mágico, e eu amo isso. Vocês duas conseguiram criar seus próprios caminhos distintos dentro da indústria da música enquanto continuaram ferozmente independentes. Vocês tem algum conselho a dar para novos artistas que estão tentando seguir o mesmo caminho?

Allie X: VERITE, o que você acha?

VERITE: Ah Deus. Digo, sim eu tenho muitos conselhos. Acho que é interessante. Acho que além das perspectivas das vidas das pessoas em geral, você sempre vê essa visão exterior de como tudo é polido e etc. E eu acho que provavelmente Allie iria concordar, mas é como correr com um projeto planejado, você sente as mêcanicas, o sentimento de como funciona. E é essa prática, o processo de colocar um pé na frente do outro e se levar adiante para criar músicas melhores e uma arte melhor. E ao se esforçar em continuar focada e compromissada mesmo quando as coisas estão difíceis. Mas no final das contas, a recompensa é que eu faço a música que eu quero fazer e continuar a crescer, engajar pessoas e compartilhar coisas. Então eu acho que resiliência e persistência são realmente importantes e não se comparar com as pessoas ao seu redor de certa forma.

Allie X: Eu assino embaixo. Eu concordo com tudo o que ela disse. Sim, é realmente engraçado fazer a transição entre ser uma jovem criança que sonhou ser uma cantora até chegar aonde estou agora. E agora vendo tudo, tem muito glamour envolvido. Mas não é apenas isso, você realmente acaba conhecendo a si mesma como pessoa e é uma jornada sem precedentes tentar se tornar uma artista. É uma puta viagem. Algumas pessoas tem a sorte de conseguir de primeira, mas na maioria das vezes você tem que lutar por um longo tempo. Realmente olhe para si mesma. Encontre seu som. Não ouça outras pessoas a não ser que faça sentido para você por dentro. Mas sim, vá, vá, vá, vá, vá, e encontre seu objetivo.

Com certeza. E voltando a “Casanova” e indo além a partir daí, qual outra música do CollXtion II você gostaria de lançar de forma remix e com quem mais você gostaria de colaborar?

Allie X: Caramba, eu não quero dizer nada que me deixe em problemas. Uma coisa que eu vou dizer é que minha música, “True Love Is Violent”, é uma das minhas favoritas no álbum, e eu amaria lançar uma versão puramente no piano em uma nota mais alta. Isso é uma coisa que eu tenho pensado no momento. Eu estou também muito focada em escrever novas músicas no momento. Então minha cabeça está meio que aí.

E quanto a você, VERITE, com o Somewhere In Between existe alguma faixa que você gostaria de revisitar no projeto?

VERITE: Sim. Tem algumas que eu comecei a olhar de uma forma diferente. E estou no mesmo barco que Allie: não quero dizer nada que irá me deixar em problemas, mas estou meio que no barco das pessoas que sentem que o cíclo entre álbuns ficam cada vez menores. Isso é meu foco no momento, acabei de ir para Los Angeles e eu estou aqui por umas três semanas e escrevendo novas músicas e meio que tentando visualizar como o próximo capítulo será ou como será a ponte para esse próximo capítulo.

Como criadoras e compositoras, alguma de vocês tem uma música que vocês trabalharam e diriam que foi uma música especial que deixaram escapar de certa forma?

Allie X: Não. Sou muito egoísta.

VERITE: Não.

Allie X: Não estive nessa posição. Normalmente se algo é para mim, vai ser para mim e os compositores que estão trabalhando comigo sabem que é para mim. E parece para mim que as pessoas não querem escolher esses tipos de músicas, de qualquer forma. Não sei. Sinto que esse é um problema de primeira classe e eu ainda não cheguei nesse ponto ainda. Sinto que Charli XCX ou Sia tem esses problemas, mas não essa pequenina eu.

Existem faixas que você incluiu na coleção Unsolved no Spotify que não fizeram parte do CollXtion II que você gostaria de revisitar?

Allie X: Sim. Eu tenho um lugar especial no meu coração para minha música “Too Much To Dream”. Quando eu fiz essa, eu ainda não tinha encontrado a sonoridade correta do CollXtion II ainda, e eu meio que brinquei com como esse som seria reproduzido. Isso é algo que eu tenho pensado.

Allie você expressou uma apreciação pela direção na qual a música pop tem viahado no momento, mas claramente isso está sempre mudando. E está mudando rápido. O que você acha que está vindo a seguir, e como você acha que se encaixa nessa nova direção na qual estamos indo?

Allie X: Mas que pergunta! Honestamente, isso é como se você entrasse em qualquer sessão de composições em Los Angeles, e hoje tem provavelmente centenas, e é exatamente isso que todo mundo está tentando descobrir. Não sei. É uma floresta de música e é muito animador mas meio que… No momento, por causa das plataformas de streaming, você realmente não sabe. Nós definitivamente ouvimos, eu acho que já ouvimos o suficiente do sample vocal do estilo do Diplo. Tipo músicas com o som de “Lean On”. Acho que isso já está saturado e estamos indo para uma nova direção. Definitivamente a música urbana está assumindo a direção, o que é legal. As letras estão ficando mais abstratas, o que eu gosto muito. Sim, eu não sei, nós teremos que esperar e ver. Mas é algo que eu estou consciente. É um desafio, já que quando estou escrevenbdo material novo, não quero pensar em nada disso. Só quero fazer coisas que venham naturalmente, que signifiquem algo e me façam sentir algo. Mas ao mesmo tempo, se você está tentando existir numa esfera pop, você tem que considerar o som e para onde está indo.

E VERITE, mesma pergunta para você. Aonde você acha que se encaixa na direção sonora no momento?

VERITE: Sinto que sempre fui a diferentona da música pop de certa forma. Mas é meio que, por exemplo, no momento, e eu realmente amo reggaeton, mas tem essa grande vibe e reggaeton. E eu sinto que é o que acontece quando você tem muitas músicas boas no momento, e então você tem os líderes de um novo som ou de uma nova interpretação do novo som, então você tem centenas de pessoas em sessões de composição tentando escrever o próximo hit. O que eu sempre fiz conscientemente é ignorar tudo isso e talvez me desfavorecendo num primeiro momento, com a esperança de criar uma comunidade de pessoas e um som que ressoe com essas pessoas. E crescer desse jeito ao invés de me escorar no que quer que seja popular no momento. Porque isso nunca vai ficar no ouvido do público pra sempre. O objetivo é fazer uma coisa que seja eterna ao invés de algo da moda. Mas tem muita coisa acontecendo que é legal. Estou muito feliz que, por exemplo o que Allie disse, os vocais muito distorcidos e quebrados estão morrendo aos poucos.

Allie X: Acho que, como VERITE disse, essa é a abordagem respeitosa. E dessa abordagem acabam saindo as músicas que serão as pioneiras do próximo grande som. Como eu gosto de chamar, tipo “Royals” foi essa música, ou “Pumped Up Kicks” foi essa música. Tem sempre uma dessas todo ano, ou a cada dois anos.

VERITE: Sinto que Portugal. The Man é tipo que isso agora. Sinto que a música deles é uma versão atualizada de “Pumped up Kicks”. Essa música está definitivamente quebrando o molde do que está no rádio no momento.

Request “Paper Love” on major radios in Canada


Publicado em 5 de novembro de 2017 às 15:05
Categorizado em: Destaque, Entrevista, Notícia

Para Alexandra Hughes, mais conhecida pelo seu nome artístico Allie X, a música é um veículo para a memória. “Cada música é uma peça de mim: uma memória, uma fantasia, realidade. A ideia é juntar todas e tentar encaixá-las”, explica a nascida canadense, residente em Los Angeles jovem cantora-compositora. Esse fantasma de reestruturação se manifesta claramente em seu recém-lançado álbum de estreia, “CollXtion II”, o altamente aguardado projeto que dá sequência ao EP do ano passado, “CollXtion I”.
Apesar do pop ser degradado por quem está de fora, Allie X lembra seus ouvintes que não se deve confundir simplicidade com futilidade. A artista usa com sucesso sua música para navegar pelas camadas da vida, construir sua identidade e como m significado para um melhor entendimento das relações com as pessoas ao seu redor. No caso do “CollXtion II”, a clareza é entregue com mais impacto através de acordes pop.
Esses temas seguem firmes ao longo do álbum, desde o primeiro single “Paper Love”, que é uma dolorsa narrativa de um coração partido, até a faixa de encerramento, “True Love is Violent”, uma música escrita originalmente para Madonna, mas uma que X amou tanto que manteve para si mesma. “Vintage”, co-escrita com o fenômeno australiano Troye Sivan, interpreta a cena de um clássico filme romântico. Em “Need You”, X divide versos com o vocalista convidado Nate Campany do Valley Girl da mesma forma que ex-amantes se tocam em seus últimos momentos. “Simon Says”, que evoca a tragédia suspirante de Lana Del Rey, narra a alarmante isolação que cresce como erva daninha em relacionamentos tóxicos.
Equilibrio é a chave em CollXtion II e batidas enérgicas são temperadas com cruas frases de impacto. Por exemplo, a crescente no hino pop “That’s So Us” é mantida perto do chão cada vez que Allie X mortifica, “Você não me faz querer morrer”. O melhor exemplo do jogo que a cantora e compositora faz usando luz e sombras é, no entando, “Old Habits Die Hard” que é uma peça de do paraíso synth-pop com suas batidas fortes, vocais penetrantes e letra impensada.
O delicado equilibrio de entregar letras cruas com synth-pop pesado é um díficil de conseguir, mas Allie X consegue no CollXtion II. Chreio do começo ao fim com fortes hinos felizes aos sintetizadores, CollXtion II explora o lado mais complicado dos relacionamentos, com o toque de assinatura kaleidoscópica da cantora-compositora.
Nos encontramos com Allie para falar de CollXtion II, que já está disponível.

Amo o tema de medicamentos e tratamentos em sua música. De onde você acha que isso vem?
Não tenho certeza. Vem do meu subconsciente, eu acho. Passei muito tempo em hospitais e muito tempo sendo mal-tratada.

Que temas você explora no CollXtion II?
O tema de identidade está sempre em meu trabalho. Especificamente com o CLX II é o conceito de perder e assumir a personalidade de alguém. Cada música é uma parte de mim, uma memória, uma fantasia, realidade. A ideia é juntar todas e tentar encaixá-las.

Como isso se desenvolveu de seu som anterior?
CLX II é muito mais mínimo, em termos de produção. No passado eu fazia a abordagem oposta e enchia o trabalho de camadas até que eu não conseguisse mais. Agora eu tento estar focada apenas nas melhores e mais importantes partes do arranjamento.

Você tem sido muito restrita com sua pessoa pública. Qual foram algumas das razões pelas quais você quis manter o mistério no meio de Allie X?
Quando me tornei X, parte da intenção era deixar os pratos limpos e dar a mim mesma a liberdade de ser quem quer que eu precisasse ser. Para criar minha própria verdade. Senti que precisava de privacidade para fazer isso.

Você sente que tem que lutar para manter o mistério ao redor? A indústria cresceu para ser mais confortável para artistas fazerem suas decisões em suas pessoas públicas?
Boa pergunta. Não tenho lutado tanto já que eu fiquei mais confortável com meus fãs e em ser uma pessoa pública. Acho que a indústria permite mais liberdade, mas a era da internet permite menos privacidade.

Como é seu processo de composição? Como ele se difere do processo de co-escrever para alguém?
Quando escrevo para mim mesma vai além da ideia inicial. Realmente assumo as rédeas e trabalho até que se encaixe. Produção, letras, etc. No processo de co-escrever, eu sou muito menos apegada e fico feliz de ver uma música ganhar um lar.

Qual a história por trás de ‘True Love is Violent’?
Escrevi com Leland e Chris Braide no que era para ser enviada para Madonna, eu acho?! (Risos) Enfim, nós todos nos apaixonamos de cara e eu peguei essa para mim.

Os visuais por trás de sua música são incríveis, eles parecem deixar o aspecto visual como uma parte muito maior do produto criativo. Quem são as pessoas que tem inspirado você, visualmente e sonoramente?
Ah, obrigada. Sou inspirada pela moda, cinema (Kubrick, Polanski…), Tumblr, drags, teatro e cores e climas.

Li algumas entrevistas aonde você discute saúde mental e ansiedade, e você parece navegar sobre tudo isso com um incrível nível de auto-consciência e graça. Como você mantém sua cabeça em ordem em uma indústria tão complicada?
Mana, eu fico feliz de passar essa impressão. Dou crédito a mim mesma pela auto-consciência, mas eu sou uma pessoa muito sensível e fico muito mal por trás das câmeras, com uma frequência rotineira. Todos esses giros me deixam tonta.

O que será o resto de 2017 para Allie X?
Espero encontrar muitos de meus fãs e espero que muitas pessoas possam ouvir minhas músicas.

Publicado em 20 de julho de 2017 às 12:13
Categorizado em: Destaque, Entrevista

Oi Allie, como você está? Você poderia se apresentar?
Estou bem, curtindo meu dia. Sou Allie X, uma artista multimídia, eu trabalho com o conceito dio X, estou buscando encontrar meu eu completo e eu serei X até que isso aconteça.

Como você descreveria seu som? Como você o desenvolveu?
É eletrônico e sem edições dream pop. Allie X veio de anos de experimentação e de aprendizado sobre como se produzir.

De onde o nome Allie X deriva?
Tenho sido uma pessoa muito confusa no que se trata de quem eu realmente sou. Se tornar Allie X me tira a pressão de ter que saber, e você preenche os espaços vazios com a possibilidade de qualquer coisa.

Seus clipes tem uma energia surreal, o quão envolvida você é no processo criativo para seus visuais?
Sou super envolvida em tudo, muito controladora em um bom e mal sentido. Não sou uma artista visual, mas sou boa em curar e sei exatamente o que eu quero, e dito o ambiente de tudo. Trabalhei com artistas muito talentosos, e tenho muitos fotógrafos e diretores que eu gostaria de ter a chance de trabalhar.

Você tem uma equipe específica com quem trabalha?
Não exatamente, é mais como um amontoado de gente. Fotografei a arte de CollXtion I e CollXtion II com Eddie Chacon, ele é muito bom o os visuais mais estereis, abstratos e limpos. Trabalho com Jungle George, ele tira a maior parte de minhas fotos para o Instagram, ele está mais envolvido com a abstração de baixo perfil. Gosto de fazer minhas pesquisas sobre quem eu quero trabalhar.

Seu clipé de CATCH foi um grande GIF, de onde veio essa ideia?
Esse foi Jérémie Saindon, que é um diretor franco-canadense, houve muita troca de visuais e muitas fotografias que referenciamos. Tinha muito a ver com o conteúdo lírico da música. Sempre me senti atraída para GIFs porque é uma imagem tão forte mas tem muito que não é dito e muito espaço aberto para a imaginação.

Quais são suas maiores influências?
Sou muito influenciada visualmente, por exemplo Kubrick, Polanski. Gosto de começar quando eu começo a pensar sobre meu projeto e o escopo dele, e visualizar como ele se parecerá. Li muito de Murakami quando estava trabalhando em minhas primeiras músicas e eu amo surrealismo, gosto de chamar de surrealidade, quando parece quase surreal, mas é no mundo real. Sou atraída também pela estética do tumblr.

Qual foi a inspiração por trás do seu novo álbum, CollXtion II?
É sobre olhar para as peças de quem você é no momento e tentar entender como você se tornou a pessoa que você é no momento. Pessoalmente para mim, eu me sinto confusa sobre quem eu sou e o que esteve em mim desde sempre e o que foi criado pela dor e experiências, e tentando reconciliar isso. Cada música é uma parte de mim, seja uma memória, sonho, fantasia ou realidade. Apenas tentando colocar tudo junto e ocupar os espaços vazios com essa ideia de X.

Quais são seus planos pro resto de 2017?
Quero ter meu álbum ouvido pelo máximo de pessoas possível, e me conectar com o máximo de fãs possível. Quero atingir um nível alto de arte e extrapolar os limites, e ao mesmo tempo trabalhar em algo que seja relevante e que possa ajudar as pessoas.

Publicado em 20 de julho de 2017 às 12:06
Categorizado em: Entrevista

Allie X é o tipo de artista peculiar no mundo do pop eletrônico nesses dias. Sua música enquanto é grudenta o bastante para conseguir seguidores e contratos de licenciamento, é ao mesmo tempo cheia de camadas, complexa e detalhadamente feita para o pop que funciona para todos. De uma criatividade sem fim, suas músicas vão além da música, com tanto conteúdo extra que até mesmo os fãs podem criar suas próprias músicas a partir disso. Falamos com Allie X sobre seu novo álbum, desistir da escola no começo da carreira e seus princípios, e como ela conseguiu fazer com que seus fãs a ajudassem a moldar seu processo de arranjamento.

Northern Transmissions: Como foi o processo de escolher as suas músicas através de seus fãs que usaram o projeto Ʉnsolved aonde você colocava demos online, e algo inesperado aconteceu deste processo?

Allie X: Estou sempre tentando fazer as coisas de uma maneira experimental. Quero envolver os fãs. X é para ser algo que todos nós compartilhemos. Eu tinha 50 demos para esse álbum e eu estava com problemas para encontrar a direção sonora, então eu senti que eu realmente precisava que os fãs dessem um passo a frente e dissessem o que eles estavam gostando e o que não estavam de acordo. Muito retorno interessante veio, meus fãs são bem honestos e ousados, eles não apenas me disseram suas opiniões sonoras mas também sobre a estética.

NT: Qual a sua maior esperança quando coloca as stems das músicas para seus fãs?

AX: Como eu disse, X é algo para adotarmos ao encontrar a sua própria verdade e expressão, então eu estou sempre tentando encontrar jeitos de encorajar isso. Gosto de quebrar o que crio em pedaços que você possa pegar o que quiser. Remixe, rearranje, essa é a ideia.

NT: Você sente que seu treinamento clássico te permitiu criar música pop que é muito mais complexa, e como você acha que isso te ajuda em seu trabalho atual?

AX: Sempre tive essas melodias pop em mim. Sempre que eu ia compôr algo sempre tinha essa orientação mais pop e épica para as melodias. Parcialmente isso é por causa dessa criação clássica e teatral que tive porque tudo o que eu criei era realmente dramático. É também porque eu cresci ouvindo Celine Dion, assistindo Titanic. O que faz de tudo mais interessante e complexo, se é que isso é verdade, é que eu sou uma pessoa estranha. Peque todas essas influências e coloque elas num processador, esse é meu cérebro. Falando em produções, eu sinto que eu estou muito envolvida no processo de produção e sou muito atraída para vocais não editados, analógicos e sons ferrados, o que acaba contribuindo para o senso teatral.

NT: Revisitando o material que você gravou antes de iniciar o projeto Allie X, você fez uma mudança muito radical de uma instrumentação mais típica para um som eletrônico mais dinâmico. O que causou exatamente essa mudança, considerando a diferença crua?

AX: Não foi algo tão consciente como você faz soar. A verdade é que eu comecei a escrever músicas seriamente quando saí da escola. Tudo o que eu tinha era a habilidade de tocar piano e o que me influenciava até então. Então eu fazia música que soava mais com o que eu tinha em meu set de equipamentos. Então eu me tornei amiga de músicos eletrônicos, graduados em jazz de Toronto. Até mesmo naquele momento eu ainda não tinha ideia sobre sonoridades ou como produzir. Me levaram quatro ou cinco anos para começar a aprender Ableton. Naquele momento eu já tinha um conhecimento mais diverso do que é música. Eu não conseguia mais encontrar meu lugar em Toronto, eu não fazia exatamente as coisas que funcionava na cena musical de onde eu sou natural. Então eu parei de lançar músicas e comecei a escrever sozinha em meu apartamento. Percebi então que eu queria fazer tinha que ser pop e eletrônico. Naquele momento eu descobri algo a mais em minha identidade, que você refere como projeto. Quando me mudei para Los Angeles eu já tinha meu som e queria um começo fresco, então isso era conceitualmente o que eu iria colocar pro mundo.

NT: O que te inspirou a seguir algo mais minimalista, depois da produção densa de seu último projeto?

AX: É sobre evolução, novamente. No último álbum eu coloquei muitas camadas, e gerei um campo de sons. Quando eu ouço agora é até engraçado, porque esse novo projeto na realidade soa ainda maior. A mixagem tem mais equilibrio e é bem acabada. É uma lição que aprendi. Quando você começa a remover partes e focar nas mais importantes, tudo ganha foco. Aprendi essa lição quando comecei a trabalhar nesse novo álbum, então foi bem intencional, apenas olhando sobre tudo o que eu tinha e pensando: “Que partes dessas eu posso perder?”, e estou muito feliz com o resultado.

NT: Aonde você encontrou o tempo para criar todos esses diferentes pedaços de mídia como gifs, vídeos, quadrinhos para a sua música, ou é sobre criar uma constante forma de criatividade para você? Você cria todos esses sozinhas ou busca outras fontes para a arte visual?

AX: Eu considero esse um projeto multimídia e eu não acredito que você consegue um panorama completo baseado na música apenas. Acho que a música é forte o bastante pra caminhar sozinha, mas você só vai entender o mundo que estou criando por completo se você puder vê-lo e sentir o ambiente. Meus fãs também amam, porque eles conseguem ser uma parte desse mundo graças a isso. Tenho o controle sobre tudo o que lançpo, mas sou uma pessoa criativa com maior talento em curar as coisas que quero e dirigir as pessoas, com ideias abstratas. Os quadrinhos que lancei, “The Story of X” que vem com todo projeto que eu lançar, é uma versão abstrata da minha própria história. Mas eu trabalho com meu amigo Matt Murray, que escreveu a cópia para isso e eu apenas edito e dirijo.

NT: Considerando a quantidade de trabalhos que você se envolve, o que vem a caminho?

AX: Tenho muito conteúdo planejado para levar os fãs em uma jornada com esse corpo de trabalho, muitas surpresas e conteúdo para os próximos meses.

Publicado em 20 de julho de 2017 às 11:59
Categorizado em: Entrevista

Qual era o seu estado de mente quando começou a gravar este álbum?
Quando comecei, achei que seria mais fácil porque agora estou morando em Los Angeles. É meio que uma máquina pop aonde eu tenho acesso a todas essas pessoas criativas. Pensei que conseguiria agendar seis meses, trabalhar duro e ter um álbum pronto. Tentei forçar e não acabava saindo nada. Escrevi tantas músicas que não entraram no álbum. Então voltei pra casa, no Canadá, para umas férias e no final do verão comecei a olhar para as músicas do jeito que eu estava acostumada: sendo eu mesma com meu telefone e computador. É aí que os sons começaram a se unir e eu escrevi minhas músicas favoritas do álbum.

O álbum é notavelmente mais upbeat que o anterior – especialmente quando comparamos uma música vertiginosa como “Paper Love” com as letras sobre vitimismo em “Catch”. O que esteve por trás dessa mudança?
Não acho que eu estava conscientemente tentando ser upbeat. Mas eu estava olhando muito conscientemente para as produções e sons. Estava tentando minimalizar e realmente focar no rítimo e nos graves. Acabei chegando à conclusão de que o jeito que eu lidava com produções era… errado. Eu enfiaria camadas e camadas de som no limite e quando eu não pudesse mais acrescentar camadas, eu colocava ainda mais! Dessa vez, foi o oposto. Foi tipo, quais são as partes que eu não posso viver sem e como fazemos essas partes soarem o melhor possível?

Como você amadureceu como artista no tempo entre o primeiro álbum e este?
Estou mais desinteressada [risos]. Aprendi mais sobre a indústria da música. Sou mais aberta com os fãs. Acho que eu estava tentando esconder tudo sobre eu mesma, e agora estou conseguindo ser um pouco mais vulnerável e revelar mais sobre eu mesma.

Artistas como Miley Cyrus e Lady Gaga estão indo para uma fase mais “acústica”, enquanto sua música é muito dance e indie. Como você mistura fazer música pop enquanto tenta algo que desafia os limites criativos?
Sou uma artista pop. Então tenho que estar consciente do que está no rádio. Se você vai para uma sessão aonde deve fazer demos e enviar para artistas aleatórios, é tipo “Pra quem vamos enviar? O que está no rádio no momento?”. Isso é parte dessa cultura, mas ao mesmo tempo estou tentando encontrar essa linha da possibilidade de algo que pode ser um hit total mas ao mesmo tempo que não segue padrões. Não acho que encontrei isso. Com esse álbum eu estou dizendo um grande “foda-se”. Irei fazer algo que é realmente legal e que sei que meus fãs irão amar, e isso é o suficiente para mim”.

Publicado em 25 de junho de 2017 às 15:17
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